Pretendemos ir construindo um guia da pintura naturalista portuguesa.
domingo, 11 de dezembro de 2016
Junto ao regato
Luciano Freire
junto ao regato
óleo sobre tela
104,5 por 79 cm
Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha
Representação de jovem do sexo masculino, nu, de pele clara e rosada, em primeiro plano, sentado numa pedra em pose, junto a um regato. Posição a três quartos, direccionado para o lado direito, cabeça inclinada para trás numa expressão sorridente e direccionada para o canto superior esquerdo. O seu braço esquerdo está flectido, elevado pelo cotovelo que quase toca no extremo superior do quadro e a mão junto ao pescoço. O outro braço, junto ao canto inferior esquerdo, tem a mão assente na rocha, de cor castanha, aonde está sentado. A sua perna direita está flectida com o pé assente na rocha e mais elevada que a outra, esta junto à extremidade lateral inferior direita, a qual encontra-se mergulhada na água numa mancha azulada próxima do canto inferior direito. No quarto superior direito, ao longe, uma silhueta, de cor castanha pouco definida, de uma fábrica com chaminés e fumo, num fundo que se divide em rochedos, água, e supostos vales e montanhas. Todo o fundo é em tons azuis marinhos, brancos, cinzas e castanhos esverdeados. No canto superior esquerdo, o recorte de arvoredo em tons de verde. Junto ao extremo superior, numa faixa pequena, surge o céu num azul misturado em nuvens desfeitas.
Cabeça de Velho
Luciano Freire
Cabeça de velho
Óleo sobre tela
38 por 33,5 cm
Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha
Retrato de um velho em primeiro plano, seccionado pelos ombros no extremo inferior e laterais. Corpo e rosto a três quartos, ambos direccionados para o lado direito da pintura. A figura representada, ocupa oblíquamente a área da pintura, subindo na composição, do canto inferior esquerdo ao meio do extremo lateral direito. Rosto com feições muito vincadas pela idade, olhar dirigido para cima e boca levemente aberta. Cabelo castanho, curto e ondulado, com bigode e barbas grisalhas, longas, as quais chegam ao canto inferior direito. A sua mão esquerda está apoiada na face esquerda realçando o dramatismo da expressão do retratado. É visível ao canto inferior esquerdo o ombro da figura reforçando a obliquídade da figura na tela. O rosto está em sombra na face voltada para o observador, contrastando com o fundo uniforme, em cinzento claro. Veste camisa branca e suspensórios.
Estação de caminhos de ferro Sul e Sueste
Alberto Sousa
Estação de caminhos de ferro Sul e Sueste, 1910
Aguarela sobre pastel
52 × 72 cm
Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado
Historial
Adquirido pelo Estado através do Legado Valmor em 1910. Integrado no MNAC em 1911.
Exposições
Lisboa, 1910, 270, Lisboa, 1913, 38; Lisboa, 1946; Lisboa, 1951, 1, p.b.; Lisboa, 1971; Lisboa, 1982, p.b.
O mais interessante nesta aguarela é o enfoque compositivo do motivo, valorizando plasticamente as linhas incertas, simultaneamente densas e transparentes, da estacaria que suporta os casebres modestos da estação fluvial. A instabilidade assim sugerida contrasta com a solidez da amurada e o adivinhado torreão da Praça do Comércio, metaforizando o corpo lacustre da cidade. Registe-se também o timbrismo suave da luz de pôr do sol, enrouquecendo a água e acinzentando a atmosfera, num exercício móvel que quase absorve a atenção naturalista do registo.
Raquel Henriques da SIlva
Adquirido pelo Estado através do Legado Valmor em 1910. Integrado no MNAC em 1911.
Exposições
Lisboa, 1910, 270, Lisboa, 1913, 38; Lisboa, 1946; Lisboa, 1951, 1, p.b.; Lisboa, 1971; Lisboa, 1982, p.b.
O mais interessante nesta aguarela é o enfoque compositivo do motivo, valorizando plasticamente as linhas incertas, simultaneamente densas e transparentes, da estacaria que suporta os casebres modestos da estação fluvial. A instabilidade assim sugerida contrasta com a solidez da amurada e o adivinhado torreão da Praça do Comércio, metaforizando o corpo lacustre da cidade. Registe-se também o timbrismo suave da luz de pôr do sol, enrouquecendo a água e acinzentando a atmosfera, num exercício móvel que quase absorve a atenção naturalista do registo.
Raquel Henriques da SIlva
Desolação
Luciano Freire
Desolação, 1900
Óleo sobre tela
100 por 135 cm
Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado
O Mercado das Caldas
Alberto de Sousa
O mercado das Caldas da Rainha, 1940
Aguarela sobre papel
38 por 54 cm
Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha
Retrato geral do mercado das Caldas da Rainha. Composto por uma série de cenas estanques em que são representados os vendedores de produtos agrícolas, vestidos com os trajes típicos, trajes de trabalho. Na metade superior da pintura, encontram-se representados vários registos de vendedores executando diversas tarefas. Na metade inferior, um conjunto de feirantes curvados perante as suas mercadorias espalhadas pelo chão ou em cestos, evidenciando-se uma senhora de pé, vestida com camisa vermelha e saia verde. O cromatismo utilizado nesta composição varia entre tons fortes e escuros.
Palácio de Sintra
Alberto de Sousa
Palácio de Sintra
Aguarela sobre papel
64 por 73,7 cm
Museu Municipal de Sintra
Imagem parcial da Vila de Sintra, onde se evidencia, à esquerda e no topo, a figura do Palácio Nacional de Sintra. A seus pés, desenvolve-se o casario circundante, cujos tons claros e "esbatidos" contrastam com o cinzento "sujo" da fachada do palácio (imagem diferente da actualidade, com as paredes recentemente caiadas). A recortar o ambiente, a vegetação numa variada gama de verdes. No casario identifica-se, também, o antigo edifício do mercado, onde se instalará o futuro Museu Municipal de História Natural. Mais à direita, a vegetação desdobra-se num olhar que se estende até à zona rural de Sintra, culminando num traço de horizonte colorido a amarelo.
Trecho da Trafaria
Luciano Freire
Trecho da Trafaria
Óleo sobre tela
37 por 46
Luciano Freire frequentava a Trafaria no Verão onde tinha uma casa na Rua 5 de Outubro, e foi aqui que fez a pintura a óleo sobre madeira Trecho da Trafaria.
Esta peça, que esteve a leilão em 2008, entretanto retirada, representa a velha Ermida de Nossa Senhora da Conceição da Trafaria, hoje totalmente em ruínas, e o casario circundante.
Perfume dos campos
Luciano Freire
Perfume dos campos, 1899
Óleo sobre tela
199 × 160,5 cm
Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado
Historial
Oferecido pelo autor à Academia de Belas-Artes de Lisboa como prova de candidatura a Académico de Mérito, em substituição do quadro Os catraeiros, perdido no naufrágio do vapor Saint André, em 1901. Integrado no MNAC em 1911.
Exposições
Lisboa, 1899, 32; Lisboa, 1911, 68; Lisboa, 1913, 29; Lisboa, 1945; Londres 2000, 118, cor; Nova Iorque, 2000, 118, cor; Lisboa, 2005.
Esta composição sugere uma leitura crítica ao progresso citadino e à industrialização, recorrendo a um tratamento referencial de signos. A simplicidade da mensagem permitiu a Fialho de Almeida apelidar de “gasosa” a “deusa”, que poderia servir “de cartaz a qualquer fábrica de bebidas, para o que tinha as necessárias acomodações”.
Numa zona industrial, provavelmente Londres, visitada pelo artista, sob um céu azul tonal, surgem alucinações de corpos em desespero. Em contraste, no cimo da montanha paira uma imaginária figura feminina que a perfuma de açucenas brancas. Envolta por um véu de transparências violetas que traça o movimento da personagem, introduz a inocência e a pureza, metas de um “paradigma perdido”, verdejante de frescura. A sinuosidade das suas linhas, gestualidade e anelado da cabeleira, constituem um dos raros exemplos da estética arte nova na pintura portuguesa, embora o rosto apresente um tratamento naturalista. Elaborada em contrastes sucessivos, a obra sublinha confrontos civilizacionais e estéticos entre a realidade e o sonho.
Preludiando preocupações ecológicas, na viragem do século XIX para o XX, esta emblemática “mãe natureza”, é representada num “género inteiramente novo” (Ribeiro Artur). Em conjunto com aquelas alucinações, lança a composição para outra dimensão, ou seja, para uma animação que a aproxima às primeiras experiências da Lanterna Mágica, aos fantasiosos dioramas de Daguerre e aos iniciais ensaios cinematográficos.
Espírito activo e viajado, Luciano Freire permanece algum tempo em Paris e Londres, onde contacta com os progressos técnicos e culturais, entre as fábricas e o cinema, e as últimas correntes estéticas simbolistas.
Maria Aires SIlveira
Oferecido pelo autor à Academia de Belas-Artes de Lisboa como prova de candidatura a Académico de Mérito, em substituição do quadro Os catraeiros, perdido no naufrágio do vapor Saint André, em 1901. Integrado no MNAC em 1911.
Exposições
Lisboa, 1899, 32; Lisboa, 1911, 68; Lisboa, 1913, 29; Lisboa, 1945; Londres 2000, 118, cor; Nova Iorque, 2000, 118, cor; Lisboa, 2005.
Esta composição sugere uma leitura crítica ao progresso citadino e à industrialização, recorrendo a um tratamento referencial de signos. A simplicidade da mensagem permitiu a Fialho de Almeida apelidar de “gasosa” a “deusa”, que poderia servir “de cartaz a qualquer fábrica de bebidas, para o que tinha as necessárias acomodações”.
Numa zona industrial, provavelmente Londres, visitada pelo artista, sob um céu azul tonal, surgem alucinações de corpos em desespero. Em contraste, no cimo da montanha paira uma imaginária figura feminina que a perfuma de açucenas brancas. Envolta por um véu de transparências violetas que traça o movimento da personagem, introduz a inocência e a pureza, metas de um “paradigma perdido”, verdejante de frescura. A sinuosidade das suas linhas, gestualidade e anelado da cabeleira, constituem um dos raros exemplos da estética arte nova na pintura portuguesa, embora o rosto apresente um tratamento naturalista. Elaborada em contrastes sucessivos, a obra sublinha confrontos civilizacionais e estéticos entre a realidade e o sonho.
Preludiando preocupações ecológicas, na viragem do século XIX para o XX, esta emblemática “mãe natureza”, é representada num “género inteiramente novo” (Ribeiro Artur). Em conjunto com aquelas alucinações, lança a composição para outra dimensão, ou seja, para uma animação que a aproxima às primeiras experiências da Lanterna Mágica, aos fantasiosos dioramas de Daguerre e aos iniciais ensaios cinematográficos.
Espírito activo e viajado, Luciano Freire permanece algum tempo em Paris e Londres, onde contacta com os progressos técnicos e culturais, entre as fábricas e o cinema, e as últimas correntes estéticas simbolistas.
Maria Aires SIlveira
Auto retrato
Luciano Freire
Auto-retrato.
Óleo sobre tela
66 por 55
Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado
Luciano Freire praticou uma pintura de um simbolismo discreto e sensível, que se evidencia neste auto-retrato de juventude. O rosto surge a três quartos, dramaticamente iluminado de lado, de barbicha cuidadosamente aparada. Ele destaca-se da brancura do colarinho, e da gravata com alfinete cravejado, moldurados pelo fato em pinceladas mais soltas. Ao fundo, destaca-se da obscuridade o rosto ambíguo de um dos escravos escultóricos de Miguel Ângelo, num testemunho estético algo decadentista sublimado numa vertente confessional.
Raquel Henriques da Silva
Bucolismo
Luciano Freire
Bucolismo
Óleo sobre tela
41 por 65
Museu Grão Vasco
Ao centro da composição destacam-se duas mulheres desnudadas, deitadas entre a vegetação. Em primeiro plano, uma das mulheres, olha sorridente e de forma provocatória para o espectador. O seu braço direiro ergue-se para que as costas da mão toquem delicadamente na sua face. As folhas encobrem parcialmente o corpo da mulher, deixando a descoberto parte dos seios. Num plano posterior, a outra mulher, de costas, igualmente deitada, vira intencionalmente a cabeça para olhar o observador. Ao longe, o olhar atento descobre o caminhar de uma lady com sombrinha vermelha, acompanhada pelo seu animal de estimação, um cão. Trata-se de uma obra onde o bucolismo, mas sobretudo, o erostismo se encontra bem presente. O significado desta obra, intencionalmente elaborada, é contudo pouco evidente.
Bucolismo
Óleo sobre tela
41 por 65
Museu Grão Vasco
Ao centro da composição destacam-se duas mulheres desnudadas, deitadas entre a vegetação. Em primeiro plano, uma das mulheres, olha sorridente e de forma provocatória para o espectador. O seu braço direiro ergue-se para que as costas da mão toquem delicadamente na sua face. As folhas encobrem parcialmente o corpo da mulher, deixando a descoberto parte dos seios. Num plano posterior, a outra mulher, de costas, igualmente deitada, vira intencionalmente a cabeça para olhar o observador. Ao longe, o olhar atento descobre o caminhar de uma lady com sombrinha vermelha, acompanhada pelo seu animal de estimação, um cão. Trata-se de uma obra onde o bucolismo, mas sobretudo, o erostismo se encontra bem presente. O significado desta obra, intencionalmente elaborada, é contudo pouco evidente.
Aldeia de St. Sauves
Henrique César de Araújo Pousão
Aldeia de St. Sauves, 1881
Óleo sobre madeira
46 por 47,8
Museu Nacional Soares dos Reis
Trecho de casario rural em que o primeiro plano é dominado por um espaço amplo em terra, interrompido à esquerda pela sombra de um edifício, esse ausente da representação. Este espaço, cujo eixo é marcado por uma figura que se dirige para o observador, fecha-se no plano seguinte com um pequeno declive e uma rua. Aí, em planos sucessivamente interrompidos, alternam os edifícios baixos, com os telhados de colmo ou de telha sob a luz branca intensa, e as suas sombras densas projectadas no chão. Além da primeira figura outras cinco se distribuem pela composição em planos mais distanciados, todas imóveis, sentadas nos muros ou de pé a conversar. Ao fundo uma torre de igreja, centrada na composição, projecta-se num dos planos mais distantes cortando o céu branco coberto de nuvens. A torre sineira aqui representada é a da igreja paroquial da aldeia de Saint Sauves d'Auvergne cujas obras de reconstrução haviam terminado poucos anos antes da estadia de Pousão no local.
Bailarina
Dom Carlos de Bragança
Bailarina
Carvão e pastel sobre papel
Fundação da Casa de Bragança - Paço Ducal de Vila Viçosa
Gado à bebida
Dom Carlos de Bragança
Gado à bebida ( Ribatejo), 1896
Pastel sobre cartão
Fundação da Casa de Bragança - Paço Ducal de Vila Viçosa
Dom Carlos
José Vital Branco Malhoa
Retrato do Rei D. Carlos,1890
óleo sobre tela
261 x 171cm
Palácio Nacional da Ajuda
O marroquino
Dom Carlos de Bragança
O marroquino, 1904
Pastel sobre cartão
Fundação da Casa de Bragança - Paço Ducal de Vila Viçosa
Rochedo batido pelas vagas
Dom Carlos de Bragança
Rochedo batido pelas vagas (cascais), 1907
Pastel sobre tela
Fundação da Casa de Bragança - Paço Ducal de Vila Viçosa
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