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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Na varanda


Aurélia de Souza
Na Varanda,
óleo sobre tela
135 x 80 cm.

Colecção SOSS, Porto

Balaustrada da Quinta da China


Aurélia de Souza
Balaustrada da Quinta da China
 óleo sobre cartão
37,4 x 57,8 cm. 

Casa Museu Marta Ortigão Sampaio - Câmara Municipal do Porto

Margens do Douro


Aurélia de Souza
Margens do Douro, 1905
Óleo sobre tela
66,5 x 80,5 cm. 

Fundação Casa de Bragança Paço Ducal de Vila Viçosa

Paisagem (Rio Douro)


Aurélia de Souza
Paisagem (Rio Douro)
Óleo sobre tela

Coleção Fundação casa de Bragança

Interior com figura feminina


Aurélia de Souza
Interior com figura feminina,
Óleo sobre tela
56 por 45

Leiloado

No atelier



Aurélia de Souza
No atelier, 1916
Óleo sobre tela
55 × 48 cm

Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado
Historial
Adquirido pelo Estado em 1916.

Exposições
Macau, 1986; Queluz, 1989, 68; Lisboa, 1916, 197; Lisboa, 1977, p.b.; Porto, 1992; Lisboa, 1994, 32, cor; Almada, 2001, 6, cor; Lisboa, 2005; Lisboa, 2010.

Nos anos em que Aurélia de Souza pintou este Auto-retrato – talvez o último, seis anos antes de morrer com 56 anos – definitivamente isolada no espaço bastante fantasmático da Quinta da China, o tempo de Guerra havia trazido o Modernismo a Lisboa e Amadeo de Souza-Cardoso realizava escandalosas exposições no Porto e em Lisboa.
A autora que, numa série excepcional de auto-retratos, pontuando o melhor da sua carreira, gostara de se olhar frontal ao espelho, representando-se o rosto como objecto particular – e prosaico – de pintura, esconde-se agora, mascarando-se não de si mesma, nem dos amados atavios femininos, mas da recordação pictórica do Goya do frontispício dos Caprichos. Nessa célebre gravura, que ela sem dúvida conhecia, o primeiro dos românticos ibéricos isolava-se, na mesma postura, rosto escondido entre os braços, deixando voar à sua volta os monstros que justificavam a máxima da colectânea: “O sono da razão produz monstros”. À conveniente leitura iluminista da época, o pintor pretenderia alertar para a necessidade de despertar a razão e afastar os monstros da ignorância. Mas se se pensar no Goya das Pinturas negras, deve considerar-se que ele se detinha também no seu próprio sono / sonho e nesse território ainda proibido que, quase com comprazimento, devorava pretensões monistas pela libertação do inconsciente.
Pintura subtilíssima que faz nascer a ténue luz do trabalho das sombras e reduz o espectro cromático ao timbrismo repetido, espécie de rima, alourada às vezes, inesperadamente verde transparente na túlipa do candeeiro que vela.
Goya ou Rembrandt que a pintora tanto admirara na viagem à Holanda, a sua poética remete também para figuras portuenses: António Carneiro, que em vez dos castanhos negros preferia os violetas claros mas que, como Aurélia, se afasta do mundo naturalista e recusa o modernismo com idênticos e sonambulares gestos. Ou, mais retirado, e mais extremo, o universo saudosista de Teixeira de Pascoais, detido nas palavras excessivas de uma poesia sagrada.

Raquel Henriques da Silva