Pretendemos ir construindo um guia da pintura naturalista portuguesa.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Praça de Camões - Viseu
José de Almeida e Silva
Praça de Camões - Viseu, 1917
Aguarela sobre papel
44 por 29
Museu Grão Vasco
Aguarela representando a Praça de Camões (antigo Rossio), em Viseu. No centro da Praça, sobre uma coluna com ampla base facetada, encontra-se representado, numa escultura em bronze, o busto de Luís Vaz de Camões. Do lado direito, uma mulher caminha de frente para o observador, com uma cesta no braço; observam-se ainda várias casas e árvores que rodeiam a praça. Em segundo plano, vislumbra-se o conjunto arquitectónico da Varanda dos Cónegos, e as torres sineiras da Catedral de Viseu.
O "Van-Rouge" de Santiago
José de Almeida e Silva
O "Van-Rouge" de Santiago, 1932
Óleo sobre tela
52,5 por 36,6
Museu Grão Vasco
Hortaliceiras
José Almeida e Silva
Hortaliceiras, 1938
Óleo sobre tela
99 por 134
Museu Grão Vasco
Registo de costumes onde se representam duas mulheres num interior. Do lado direito, uma mulher vestindo camisola cinzenta, com lenço de tonalidades alaranjadas na cabeça, segura uma cesta cheia de nabos. Esta figura olha frontalmente o observador e é ladeada, à esquerda, por outra mulher de idade mais avançada que veste longa saia xadrez, avental e camisa cinzenta, ostentando um lenço vermelho na cabeça e argolas douradas nas orelhas. Esta mulher compõe os vários repolhos de couve sobre a mesa. Por trás desta, vislumbra-se um pote de barro que se encontra parcialmente representado. Num plano posterior, ao centro, destacam-se brilhantes cebolas que estão penduradas em cabos, junto a uma prateleira com objectos de barro e panos. Nas costas da hortaliceira mais jovem existe um vaso com uma planta florida. Trata-se de uma obra com bastante preciosismo, retratando a actividade quotidiana destas personagens populares.
Menina - efeitos de luz
José de Almeida e Silva
Menina - efeitos de luz
Óleo sobre tela
46,5 por 37
Museu Grão Vasco
Busto de menina com cabelos castanhos ondulados, vestido avultado com botões do lado esquerdo, brincos dourados losângulares, retratada sob um fundo indefinido. O rosto é iluminado por feixes de luz que, vindos de diversas direcções, criam um efeito de luz realçando assim o rosto da menina das tonalidades de castanhos, predominantes nesta composição.
A Menina - Efeitos de Luz, pintada 12 anos depois da Menina das Camélias, revela uma maior maturidade pictórica de Almeida e Silva, na qual a figura, praticamente a meio corpo, se apresenta despojada de quaisquer atavios, colocando toda a ênfase no tratamento dado à personagem e em especial ao rosto. O fundo é indistinto, caracterizado com uma pincelada vigorosa e quase espatulada, em tons de castanhos, mas permitindo perceber um espaço interior no qual a personagem se integra. O rosto da jovem é envolto em dois relances distintos de luminosidade. Da direita sobressai um tom quente e alaranjado, que parece emergir de uma lareira acesa, afagando a face e realçando o peculiar brilho do brinco em ouro que pende da orelha, ou ainda no olhar cristalino. Da esquerda ressalta uma luz branca, fria e menos intensa, mesmo assim essencial a um jogo lumínico que sugere um tempo de Inverno, passado num interior, suscitação confirmada pelo tipo de indumentária que a figura apresenta: um casaco abotoado, num tom escuro de verde acinzentado (que se parece mesclar com o fundo). O recurso habilidoso ao sfumato, o contraste das duas intensidades de luz, a caracterização da mirada um pouco enigmática, aliada à expressão valores simbólicos, como a pureza, inocência e intemporalidade, tão do agrado do pintor, conferem à obra um elevado interesse para a caracterização da obra de Almeida e Silva, virtuosismo já experimentado na obra Retrato de Homem, pintado dois anos antes. SG
A menina das camélias
José Almeida e Silva
Menina das Camélias1912
óleo sobre tela
46 por 36
Museu Grão Vasco
Retrato de menina a três quartos de frente com vestido verde, cabelo castanho parcialmente apanhado, brinco dourado com pedra cor-de-rosa, segurando nas mãos um ramo de camélias vermelhas com manchas brancas e viçosas folhas verdes. A menina apresenta um olhar triste e melancólico solicitando o olhar do observador. Trata-se de uma obra de grande beleza e rigor representativo. A Menina das Camélias revela uma das características mais presentes na obra de Almeida e Silva, uma espécie de serenidade e de imutabilidade, que parece colocar esta jovem, possivelmente nascida com o século, incólume a todas e quaisquer perturbações, mesmo aquelas que eram intensamente vividas no período revolucionário em que a pintura foi executada. A obra apresenta uma paleta densa, em que a figura, quase de frente, em busto, se eleva de um fundo escuro. No rosto da jovem espalha-se uma luz cálida, pontuada com meticulosos detalhes como o tratamento do cabelo, que se adivinha apanhado atrás da cabeça e que cobre parte da orelha, o brilho pontual do brinco, olhos amendoados, bem definidos, uma mirada realista e uma expressão de alguma compenetração, que tanto pode ser de timidez, como apenas o resultado de uma posição estática exigida ao modelo. Num plano ainda mais presente, banhadas de luz intensa, está um copioso bouquet de camélias matizadas de branco e vermelho, que sublinha, e quase rivaliza, com a beleza simples da retratada. Dada a significação de pureza, captada através da singeleza das flores e inocência da personagem retratada, esta é uma das peças mais conhecidas do pintor Almeida e Silva, devendo a sua dimensão icónica à singularidade da composição e à subtileza emotiva, factor pelo qual, os viseenses nutrem uma especial atenção à obra. A representação das camélias é um tema recorrente em Almeida e Silva. Na exposição de arte do Ateneu Comercial do Porto (1890) faz a primeira apresentação deste tema floral, repetindo sucessivamente estudos de naturezas-mortas nesta tipologia sobretudo em 1910, na 3.ª exposição anual da Sociedade de Belas Artes do Porto.
Fraguedos graníticos (Serra da Estrela - Portugal)
José Almeida e Silva
Fraguedos graníticos (Serra da Estrela - Portugal), 1922
Óleo sobre tela
37,5 por 52
Museu da Guarda
Fez parte da exposição inaugural do Museu Regional da Guarda, em 30 de Julho de 1940, tendo permanecido no Museu desde essa data. O titulo da pintura "Fraguedos graníticos" (Serra da Estrela - Portugal) está escrito a lapiseira na armação do quadro. Pintura estudada pela Drª. Isabel Falcão em 2004 (Mestra em História da Arte Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa).
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