Pretendemos ir construindo um guia da pintura naturalista portuguesa.
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domingo, 11 de dezembro de 2016
Ribeiro - Fim de tarde
José Júlio de Sousa Pinto
Ribeiro - Fim de tarde
Óleo sobre tela
36,8 por 29,5
Museu Nacional Soares dos Reis
Paisagem com um ribeiro e arvoredo. Trecho de rio, com representação de uma faixa estreita de margem com areia, pedras e vegetação rasteira, no primeiro plano. O segundo plano é dominado pelo espelho de água, onde se refletem todas as tonalidades dos montes e vegetação representada nos planos subsequentes. Arranca deste segundo plano a vegetação que domina todo o lado esquerdo da composição e que se eleva até ao limite superior. Nos últimos planos temos a outra margem do rio, com a vegetação à direita, e todo um plano que se estende até ao cume dos montes, com vegetação rasteira onde predominam as tonalidades de ocres, verdes e castanhos, abertas pela incidência do sol. No limite superior, o azul pálido do céu é pontuado pela representação da lua, em branco, parcialmente visível, velada por uma névoa.
sábado, 10 de dezembro de 2016
Um caminho na Bretanha
José Júlio de Sousa Pinto
Um caminho na Bretanha, 1910
Pastel sobre papel
33 por 25
Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado
Paisagem rural. Sob um céu densamente nublado, em tons de cinzento, com o poente no fundo, parte um caminho de terra batida, de um amarelo invular, que converge para o lado esquerdo, em direcção ao plano de fundo. De um lado e doutro vegetação diversa, e no centro, junto ao horizonte, uma árvore recorta-se contra o céu. Primeiro de uma série de pastéis do Museu do Chiado ( 14 ao todo: nºs inv. 263/ 264/ 265/ 266/ 267/ 268/ 269/ 270/ 274/ 429/ 1150/ 1558/ 1559 e 1660) que individualizam a carreira de Sousa Pinto no contexto do naturalismo português.
Poveiro
José Júlio de Sousa Pinto
Poveiro, 1893
Pastel sobre papel
42 por 34, 5
Museu Nacional Soares dos Reis
Figura de homem velho, em busto, ligeiramente voltado para a direita, com o rosto inclinado para a esquerda e o olhar dirigido para o mesmo lado. Tem um barrete castanho, cingido à cabeça, de onde saem alguns cabelos negros que contrastam com a barba, mais cinzenta e branca. O rosto e o pescoço são marcados por rugas acentuadas. Aparenta ser figura popular, pela forma de trajar simples e pouco cuidada. Veste camisa branca com decote ligeiramente aberto, a que se sobrepõe o que parece ser um casaco, de tons amarelos com as sombras marcadas a azul. A luz que incide na figura projecta-se a partir do lado direito.
A Casa-Museu Fernando de Castro foi a residência de Fernando de Castro (1888-1946), negociante, poeta, caricaturista e coleccionador. Durante a sua vida reuniu um número significativo de peças e decorou a sua casa, com o objectivo de nela criar um museu. Tendo falecido sem ter concretizado essa intenção, sua irmã e única herdeira, Maria da Luz de Araújo e Castro, veio satisfazer este desejo através da doação feita por ela ao Estado do imóvel e recheio da actual Casa-Museu Fernando de Castro. Pelo decreto-lei n.º 385/60, publicado no Diário de Governo, n.º 261 - 1ª série, de 15 de Dezembro de 1951, passou a Casa-Museu Fernando de Castro a ficar anexa ao Museu Nacional de Soares dos Reis que tomou conta da sua administração em 22 de Abril de 1952. A etiqueta que consta no reverso, no contraplacado, da "Exposição de homenagem ao mestre Sousa Pinto, Salão Silva Porto, Março 1932, Quadro nº 110" (este número encontra-se tapado com uma etiqueta retangular, que foi cuidadosamente levantada para observação). A brochura da exposição conta com 102 obras expostas o que exclui esta pintura do elenco das obras. Poderia ser extra catálogo? No Boletim do Salão Silva Porto dedicado ao pintor no ano da morte, 1939, (Vd. Bibl.) esta obra já é apresentada como propriedade de Fernando de Castro. Neste Boletim confirma-se a hipótese adiantada de que é uma obra apresentada na Exposição de 1932.
Estilo
José Júlio de Sousa Pinto
O estilo, 1904
Óleo sobre tela
34 por 47
Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado
Pintura alegórica. Insere-se na tradição ocidental do nu reclinado, abordada por Ticiano, Goya ou mesmo Cabanel, mestre de Sousa Pinto. A cena parece ter lugar num bosque dos arredores de Paris ou na Bretanha. Uma mulher nua está deitada sobre a relva, estendida obliquamente, com um ar ausente e sonhador. À direita, em segundo plano, outra mulher banha-se nas águas de um lago. Destaca-se no conjunto o arvoredo luxuriante, mas apaziguador, que envolve a figura feminina, transmitindo uma aura de lassidão e mistério. De referir a influência simbolista neste quadro de Sousa Pinto, que joga com o duplo sentido do título, que alude ao Verão e à idade madura ou fértil da mulher.
A Macieira Partida
José Júlio de Sousa Pinto
A Macieira Partida, 1883
Óleo sobre tela
124,5 por 96
Museu Nacional Soares dos Reis
Numa paisagem com grande profundidade está representada em primeiro plano e numa escala quase natural, do lado direito da composição e voltada para a esquerda, uma mulher de bastante idade que observa uma árvore partida cujo tronco e folhagens preenchem toda a metade esquerda da composição. A mulher traja saia comprida de riscas, até à altura dos tornozelos, coberta por um avental de tecido grosso, com rasgões e remendos e um casaco abotoado à frente, com as mangas arregaçadas até aos cotovelos, de decote redondo e chegado ao pescoço onde é visível uma estreita gola de camisa branca. A cabeça está envolvida por um lenço de tecido axadrezado, bem ajustado, que cobre todo o cabelo. Tem o braço esquerdo flectido e encostado ao corpo, seguindo a linha da cintura; o direito, também flectido, sustenta, apoiada na respectiva mão, a cabeça ligeiramente inclinada.
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