Pretendemos ir construindo um guia da pintura naturalista portuguesa.
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Esperando o sucesso
Henrique César de Araújo Pousão
Esperando o sucesso, 1882
Óleo sobre madeira
131,5 por 83,5 cm
Museu Nacional Soares dos Reis
Vesúvio estudo
Henrique César de Araújo Pousão
Vesúvio - estudo, 1882
Óleo sobre madeira
9,8 por 16,4 cm
Museu Nacional Soares dos Reis
Aspecto de Pompeia - Vesúvio
Henrique César de Araújo Pousão
Aspecto de Pompeia - Vesúvio, 1882
Óleo sobre madeira
9,8 por 16,4 cm
Museu Nacional Soares dos Reis
Arvoredo - Albano
Henrique César de Araújo Pousão
Arvoredo - Albano, 1882
Óleo sobre madeira
9,9 por 16,5
Museu Nacional Soares dos Reis
Barcos Capri
Henrique César de Araújo Pousão
Barcos Capri, 1882
Óleo sobre madeira
10 por 16,5 cm
Museu Nacional Soares dos Reis
Rio e Casas - Roma
Henrique César de Araújo Pousão
Rio e casas Roma, 1883
Óleo sobre madeira
9,9 por 16,4
Museu Nacional Soares dos Reis
Cecília
Henrique César de Araújo Pousão
Cecília, 1882
Óleo sobre madeira
82,3 por 57,2 cm
Museu Nacional Soares dos Reis
Num espaço interior, que se adivinha de arquitectura imponente, está representada uma figura feminina de modelo romana, em posição frontal, sentada, e voltada para uma cadeira azul cujo espaldar figura no primeiro plano da composição. Segura nas mãos um pequeno livro aberto, em posição de leitura, que a rapariga terá interrompido: o olhar é dirigido para o observador. O fundo do quadro é preenchido pela representação da base de uma coluna em mármores cinzento e preto e por um pequeno trecho de parede em tonalidade contrastante onde predominam os ocres e sobressai o vermelho. A figura traja a habitual indumentária dos modelos "ciociaro", sendo aqui bem visível a blusa branca e o lenço colorido sobre os ombros, o habitual colar de contas de coral e a tradicional cobertura de cabeça. Na composição assume um papel relevante o provável xaile, pousado na cadeira do primeiro plano, no canto inferior direito, pela conjugação de cores do padrão geométrico, que constitui um contraponto cromático com o já referido trecho de parede que ocupa o canto oposto do quadro.
Tronco de árvore
Henrique César de Araújo Pousão
Tronco de árvore
Óleo sobre madeira
22 por 15,9 cm
Museu Nacional Soares dos Reis
Rua de Capri
Henrique César de Araújo Pousão
Rua de Capri, 1882
Óleo sobre madeira
36,5 por 16
Museu Nacional Soares dos Reis
Rua de Capri
Henrique César de Araújo Pousão
Rua de Capri, 1882
Óleo sobre madeira
36,5 por 16
Museu Nacional Soares dos Reis
Muro e escadas ( estudo)
Henrique César de Araújo Pousão
Muro e escadas ( estudo), 1882
Óleo sobre madeira
36,5 por 16
Museu Nacional Soares dos Reis
Esta obra pertence a um conjunto de "ruas de Capri", uma série de oito pranchas de madeira com a mesma dimensão e características, realizadas pelo pintor na sua primeira estadia na ilha de Capri, em 1882. O pintor escolheu um trecho de escadaria íngreme como tema principal da composição. A partir de um pátio que se adivinha à esquerda, por onde entra a luz, arranca uma escadaria que tem, junto aos primeiros degraus, uma árvore e um vaso com arbusto. A escada está enquadrada entre dois muros: um à direita que se eleva em toda a altura da composição e, à esquerda, um outro muro que, além de fazer a divisão entre o pátio e o jardim do patamar superior, acompanha a escadaria até ao topo. No jardim, a meia altura, existe uma vegetação densa que, associada à folhagem da árvore do primeiro plano, faz as sombras que marcam presença em toda a composição. A luz intensa que se projecta da esquerda inunda parte da parede caiada, num branco luminoso. Por entre as sombras que transformam o branco da parede em manchas azuis e liláses o pintor faz vibrar a luz que passa através da folhagem, em breves pinceladas brancas. A composição completa-se com um apontamento de azul intenso que representa o céu, bem no alto da escadaria
Um páteo
Henrique César de Araújo Pousão
Um páteo, 1881
Óleo sobre cartãomadeira
26,5 por 16,7
Museu Nacional Soares dos Reis
Trecho de recanto de um pátio com representação de coluna e escadaria. Todos os elementos arquitectónicos representados na composição, e que preenchem a quase totalidade da superfície do quadro, são caiados de branco, o que confere à composição um quase monocromatismo. A pintura é trabalhada em variantes de branco, conforme representem áreas iluminadas ou de sombras, com leves tonalidades de azul acinzentado e dourado. Destacam-se alguns elementos que acrescentam as poucas variações cromáticas sobre o predomínio dos brancos da arquitectura: são eles, a videira, cujo tronco fino, castanho, desenha uma linha oblíqua até chegar à coluna e a respectiva ramagem verde que rodeia a coluna na parte superior e se estende em ramada, as peças de roupa estendidas sobre uma corda e a pequena janela aberta na parede frontal.
Mendigo Lapita
Henrique César de Araújo Pousão
Mendigo Lapita, 1880
Óleo sobre madeira
23,5 por 14,2
Museu Nacional Soares dos Reis
Figura de homem, representado de corpo inteiro e de pé. A figura está um pouco inclinada para o lado esquerdo, apoiada pela axila do braço direito numa espécie de muleta. No rosto barbado, a pincelada espessa e rogosa dá à figura uma aparência de feições vincadas. Este mendigo andrajoso é um tanto caricaturado pelo chapéu alto enterrado na cabeça que lhe faz salientar as orelhas. Toda a composição é trabalhada em pinceladas rápidas e largas, particularmente evidentes no tratamento do traje da figura onde o pintor utiliza maior quantidade de tinta. A figura foi representada defronte de uma parede branca com ampla janela. A parte superior do corpo, correspondente ao busto, inscreve-se sobre a mancha negra criada pela abertura da janela com grades que se abre para a obscuridade. Esta janela é "emoldurada" por uma faixa de pedra que introduz uma mancha ocre avermelhada na composição. É de salientar a descentralidade da janela que o limite esquerdo do quadro interrompe e que do extremo direito deixa ver uma faixa estreita da parede branca. O carácter de esboço que tem este pequeno quadro é acentuado no tratamento inacabado do chão onde os pés da figura mal se distinguem.
Ramada e muro com vasos (estudo)
Henrique César de Araújo Pousão
Ramada e muro com vasos (estudo), 1882
Óleo sobre madeira
36,5 por 16
Museu Nacional Soares dos Reis
Representação de um pequeno trecho de um pátio, com murete de canteiro, coluna e ramada. Nesta tomada de vista pouco comum, a composição é estruturada pela oblíqua do murete em baixo, que a atravessa quase na totalidade, as linhas verticais da coluna de secção quadrangular, ao centro, e uma outra oblíqua traçada pela ramada verde, em cima. A mancha verde salpicada de vermelho, que emerge desordenada do canteiro, preenche todo o centro da composição, chamando o olhar e criando o equilíbrio na composição. Os caules finos, verticais, acompanham a coluna e reforçam o seu papel estruturante, bem como o tronco encurvado que liga visualmente a mancha verde do canteiro em baixo com a da parreira em cima. O jogo da luz e da sombra faz-se na alternancia das paredes brancas iluminadas até ao limite, e a sombra clara, azul, projectada sobre elas. O branco recebe aqui o mesmo tratamento que em outras obras de Pousão (por exemplo Escadas de Capri, Inv, 100/81 Pin MNSR), texturado com empastamento leve da tinta, a evidenciar a orientação da pincelada, por contraste com as zonas de sombra onde os cinzas e azuis são fluidos, deixando lisa a camada pictórica. Esta obra faz parte de uma série de oito representações de aspectos de Capri, produzidas durante o ano de 1882, que têm em comum não só o formato, mas também genericamente um mesmo tema e, sobretudo, uma mesma abordagem à luz e à geometria das arquitecturas e ruelas do local
Rua de Capri
Henrique César de Araújo Pousão
Rua de Capri, 1882
Óleo sobre madeira
36,5 por 16
Museu Nacional Soares dos Reis
Rua estreita de Capri com representação das paredes caiadas do casario sob a luz intensa mediterrânica. Composição estruturada nos planos ortogonais dos alçados, sobre uma linha longitudinal de rua que sobe, em patamares e escadaria, curvando para a direita. Numa paleta de cores reduzida onde predominam os brancos, ocres e azuis, o pintor procura os efeitos da luz sobre as superfícies planas, interrompidas pelas aberturas de portas e janelas marcadas pela projecção das sombras. A perspectiva é aqui muito vincada nas linhas de fuga e os arcos de ligação entre as duas faces do casario, além de a acentuarem, marcam a profundidade e a sucessão dos planos. Em contraste com todo o resto estão as duas aberturas do último plano, a porta e a janela sobrepostas, a negro, significando o vazio da sombra ou da ausência de luz. Um outro aspecto, que é frequente neste tipo de composições urbanas de Pousão, é a presença de breves apontamentos de vegetação, normalmente em vasos nas sacadas das janelas, aqui muito sumariamente sugeridas em breves pinceladas de verde. Resta ainda um aspecto particular que referencia esta composição a um lugar específico, a entrada do albergue onde Pousão se hospedava, propriedade de Nicola Ferace, cujo nome se inscreve na parede do fundo, só parcialmente visível.
Rua de Capri
Henrique César de Araújo Pousão
Rua de Capri, 1882
Óleo sobre madeira
36,5 por 16
Museu Nacional Soares dos Reis
Representação de um trecho de rua estreita com uma figura. A composição é dominada pelos panos de muro, como densos volumes brancos, sem aberturas, que se elevam para lá do limite superior. Ao fundo um pequeno arco enquadra uma articulação mais intrincada de muros, janelas e portas e, junto ao topo, um trecho de ramada e um vaso, notação de cor que dimensiona os últimos planos. Ao centro uma figura de menina, vestida de azul e com lenço amarelo na cabeça, caminha na direcção do observador segurando uma bilha. Os muros brancos reflectem uma luz intensa que nalguns pontos quase dilui o contorno e a forma dos volumes. A luz é reforçada pelo azul vibrante de um pequeno trecho de céu deixado visível acima dos muros. Nesta obra é sobretudo a alternância das zonas de sombra e de luz que constrói o espaço e diferencia os vários planos da composição. A pincelada solta vai diferenciando tons e texturas pela diferente orientação e pelo recurso pontual a empastamentos ligeiros. Na zona superior, sobretudo no céu, a tinta, mais fluida, é texturada pela pressão dos dedos. Esta obra faz parte de uma série de oito representações de aspectos de Capri, produzidas durante o ano de 1882, que têm em comum não só o formato, mas também genéricamente um mesmo tema e, sobretudo, uma mesma abordagem à luz e à geometria das arquitecturas e ruelas do local,
domingo, 11 de dezembro de 2016
Aldeia de St. Sauves
Henrique César de Araújo Pousão
Aldeia de St. Sauves, 1881
Óleo sobre madeira
46 por 47,8
Museu Nacional Soares dos Reis
Trecho de casario rural em que o primeiro plano é dominado por um espaço amplo em terra, interrompido à esquerda pela sombra de um edifício, esse ausente da representação. Este espaço, cujo eixo é marcado por uma figura que se dirige para o observador, fecha-se no plano seguinte com um pequeno declive e uma rua. Aí, em planos sucessivamente interrompidos, alternam os edifícios baixos, com os telhados de colmo ou de telha sob a luz branca intensa, e as suas sombras densas projectadas no chão. Além da primeira figura outras cinco se distribuem pela composição em planos mais distanciados, todas imóveis, sentadas nos muros ou de pé a conversar. Ao fundo uma torre de igreja, centrada na composição, projecta-se num dos planos mais distantes cortando o céu branco coberto de nuvens. A torre sineira aqui representada é a da igreja paroquial da aldeia de Saint Sauves d'Auvergne cujas obras de reconstrução haviam terminado poucos anos antes da estadia de Pousão no local.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
Escadas de Capri
Henrique César de Araújo Pousão
EScadas de Capri, 1882
Óleo sobre madeira
36,5 por 16
Museu Nacional Soares dos Reis
Representação de um aspecto parcelar de uma construção arquitectónica que se supõe mais ampla. Os elementos principais que definem a estrutura da composição são duas escadarias paralelas representadas em sentido ascendente. A escada da esquerda enquadra-se entre dois muros que se elevam desde a base até à altura do degrau mais elevado. No topo, supõe-se a existência de um patamar que antecede a porta, parcialmente aberta, vista de frente: o negro da parte superior direita da porta, posicionado no eixo central da porta que lhe dá acesso, define o contraste da sombra do interior com a luminosidade intensa da projecção da luz sobre a parede branca. A escada da direita cujo primeiro degrau forma um ângulo recto com o correspondente da escada da esquerda, arranca em curva, ao nível dos primeiros degraus, e desenvolve-se paralela à anterior. A marcação dos volumes e dos planos das paredes brancas é reforçada pelos dois grupos de vasos que encimam, quer o muro que permeia as duas escadarias, quer o topo da parede branca posicionada ao cimo da escada da direita. Esta obra faz parte de uma série de oito representações de aspectos de Capri, produzidas durante o ano de 1882, que têm em comum não só o formato, mas também genericamente um mesmo tema e, sobretudo, uma mesma abordagem à luz e à geometria das arquitecturas e ruelas do local
Fachada de casa soterrada - Roma
Henrique César de Araújo Pousão
Fachada de casa soterrada - Roma, 1882
Óleo sobre madeira
9,9 por 16,5
Museu Nacional Soares dos Reis
Após a morte de Henrique Pousão, em 25 Março de 1884, o seu pai, o juiz Francisco Augusto Nunes Pousão, a exercer funções em Odemira, reuniu toda a obra do artista que se encontrava dispersa entre familiares e amigos, mandou emoldurar todos os quadros que pode reunir, mais tarde foi transferido para Faro e levou consigo toda a obra que reunira. F. Fernandes Lopes escreve a esse propósito que Nunes Pousão “tinha tudo no seu escritório, cujas paredes estavam assim forradas com quadros do filho. Encontrava-se ali tudo o que fora a sua produção artística em Pintura, excepto naturalmente o que anteriormente enviara para a Academia do Porto ou teria sido vendido a raros particulares, que lhe haveriam feito encomendas, ou ainda de amigos ou pessoas de família a quem fizera ofertas…” V. em Bib. LOPES, Francisco Fernandes [1959], p. 98, 99. Após a morte do Juiz Nunes Pousão, em 2 de Agosto de 1888, em cumprimento da sua vontade, as obras foram entregues, pela viúva, à Academia Portuense de Belas Artes em cujo arquivo se guarda a relação sucinta de obras e objectos então entregues “Relação dos quadros, desenhos e mais objectos que faziam parte do espólio de Henrique Pousão.” AFBAUP , Correspondência recebida, Nº 212. Uma lista mais detalhada seria posteriormente redigida na própria Academia AFBAUP Documento avulso, sem cota, e Correspondência para o Governo, 1837-1911 [130, 21 Set. 1889, fla. 50 v]. Pertence ao Fundo Antigo do Museu: o antigo Museu Portuense, criado em 1833, passa a ser tutelado por uma Comissão de professores da Academia de Belas Artes do Porto, a partir de 1839, e as duas instituições passaram a partilhar o mesmo espaço e tutela. Em 1932 é feita a partilha do acervo existente pelas duas instituições, o Museu Soares dos Reis (antigo Museu Portuense) e Escola de Belas Artes (antiga Academia): dessa divisão foi registada uma “Relação dos objectos existentes no Museu Soares dos Reis pertencentes ao Estado”, datada de 1 de Novembro de 1932 e firmada por João Marques da Silva e por Vasco Valente, respectivamente, director da Escola de Belas Artes e do Museu Soares dos Reis.
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