domingo, 11 de dezembro de 2016

Varinas


Dom Carlos de Bragança
Varinas, 1904
Pastel sobre cartão

Fundação da Casa de Bragança - Paço Ducal de Vila Viçosa

Perfil de ancião


Dom Carlos de Bragança
Perfil de Ancião ( José Maria Pires da Silva), 1907
Pastel sobre cartão

Fundação da Casa de Bragança - Paço Ducal de Vila Viçosa

Maturidade


Dom Carlos de Bragança
Maturidade
Pastel

Instituto Nacional dos Arquivos Nacionais, Torre do Tombo

Ribeiro - Fim de tarde


José Júlio de Sousa Pinto
Ribeiro - Fim de tarde
Óleo sobre tela
36,8 por 29,5

Museu Nacional Soares dos Reis

Paisagem com um ribeiro e arvoredo. Trecho de rio, com representação de uma faixa estreita de margem com areia, pedras e vegetação rasteira, no primeiro plano. O segundo plano é dominado pelo espelho de água, onde se refletem todas as tonalidades dos montes e vegetação representada nos planos subsequentes. Arranca deste segundo plano a vegetação que domina todo o lado esquerdo da composição e que se eleva até ao limite superior. Nos últimos planos temos a outra margem do rio, com a vegetação à direita, e todo um plano que se estende até ao cume dos montes, com vegetação rasteira onde predominam as tonalidades de ocres, verdes e castanhos, abertas pela incidência do sol. No limite superior, o azul pálido do céu é pontuado pela representação da lua, em branco, parcialmente visível, velada por uma névoa.

A praia


João José Vaz
A praia, 1900
Óleo sobre tela
47,5 por 57, 5

Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves

Composição representando um extenso areal com algumas rochas. Perdidas nesta imensidão de espaço, três figuras, varinas(?), pontuam a cena como três manchas de negro. Dois terços da obra são ocupados por uma atmosfera de nuvens.
Adquirida ao senhor Malhou da Costa, de Alpiarça, em 17/06/1953 por 1.500$00 (mil e quinhentos escudos). Foi trazida a casa do Dr. Anastácio Gonçalves pelo senhor Nuno Faria de Portugal. Metida em boa e larga moldura, feita expressamente para a obra. Em 1965, as Finanças atribuiram-lhe o valor de 10.000$00 (dez mil escudos)

Ponta da Doca de Setúbal



João José Vaz
Ponta da doca de Setúbal, 1916
Óleo sobre tela
43,5 por 33,5

Museu da Guarda

Representação de uma cena marítima, registada na doca de Setúbal. Em primeiro plano temos dois barcos, pequenos, no rio, o mais próximo de nós com um pescador, de perfil, veste camisa branca e calças castanhas, no outro barco estão dois homens, um de costas para nós, veste camisa branca e outro de frente usa camisa e calças castanhas. Mais distantes, no rochedo, seis figuras, quatro sentadas e duas de pé observam os pescadores. Ao, fundo em segundo plano, uma embarcação de maior porte e a vista de um conjunto de casario denso e irregular, destacando-se no cimo da composição a Igreja e a respectiva torre.

Esta pintura foi comprada pelo Dr. Alfredo Filipe, em 19 de Novembro de 1916, numa exposição de pintura, realizada na escola Afonso Domingues em Lisboa, pelo valor de 40$50. Na parte posterior da moldura, cartão colado, com a legenda: ".... Seixas.... Lisboa Nº Quadro Nº 12- «Ponta da Doca» (Setúbal). Autor João Vaz Preço 40$50. Adquirido na Exposição do autor, na Escola Industrial Afonso Domingues em Xabregas, 19 de Novembro de 1916". Pintura estudada pela Drª. Isabel Falcão em 2004 (Mestra em História da Arte Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa).

Marinha Rochedos


João José Vaz
Marinha Rochedos
Óleo sobre tela
64,6 por 159,3

Palácio Nacional da Ajuda

Trecho do estuário do Tejo, contendo, no primeiro plano, sobre a direita, um aglomerado de rochedos, em tons escuros, onde embatem as ondas, que se desfazem numa espuma muito branca. No plano mais afastado, um veleiro sulca o mar de um verde acinzentado. O céu, muito nublado, apresenta-se mais carregado nos flancos da composição e luminoso ao centro.

Marinha com Torre de Belém


João José Vaz
Marinha com Torre de Belém
Óleo sobre tela
63 por 160

Palácio Nacional da Ajuda

Trata-se de um trecho do estuário do Tejo, representando uma parte da praia de Pedrouços. No primeiro plano, sobre a esquerda, um bote, em seco, está amarrado por dois cabos, enquanto uma mulher se apoia na sua pôpa. Logo à direita, um pescador, sentado, amanha a rede, tendo por detrás outro bote, mais pequeno, apontado por dois homens. No segundo plano, a Torre de Belém, a que se segue, para a direita, parte do Forte do Bom Sucesso, à sombra de cuja muralha se encontram, em terra, alguns veleiros. No plano seguinte, um veleiro navega no Tejo, em direcção à barra. No último plano, a outra banda marca o horizonte, de onde nasce um céu nublado em várias tonalidades de cinzento.

Trecho da Praia de Buarcos


João José Vaz
Trecho da Praia de Buarcos
Óleo sobre tela´
38 por 61

Museu Grão Vasco

Paisagem marítima. Na praia de Buarcos, observa-se um barco que tranquilamente repousa na areia, à sombra da velha fortaleza. O barco, de cor vermelha e lilás, ostenta na proa uma pequena rede de pesca. Uma fortaleza ergue-se imponentemente da areia branca, adquirindo o papel de guardiã de um aglomerado de casas da qual apenas se observam algumas chaminés e telhados. No plano fundeiro, do lado esquerdo, caminhando no areal, perto de outro barco, descobre-se uma figura humana. Para além dela, vislumbram-se algumas casas e um trecho das águas do mar. O céu azul é portador de uma luminosidade estival. Trata-se de uma marinha simples que transmite tranquilidade e paz de espírito, como de resto acontece com a maioria das composições deste membro setubalense do Grupo do Leão.

Praia da Póvoa do Varzim


João José Vaz
Praia da Póvoa do Varzim
Óleo sobre Tela
30 por 50

Museu Grão Vasco

Pintura de costumes na praia da Póvoa do Varzim. Observam-se pescadores no regresso da sua faina no mar. Na praia encontram-se mulheres e crianças que aguardam o regresso dos pescadores. Do lado direito observamos a proa de um barco de pesca junto ao qual se encontram uma criança e três mulheres sentadas. Do lado esquerdo o mar surge plantado de pequenas embarcações de pesca. No areal junto ao mar um conjunto de pessoas observa os barcos que se aproximam. Os contornos indefinidos das figuras em segundo plano são testemunho da intenção do autor em dar apenas uma visão geral da comunidade piscatória de Póvoa do Varzim. Realça apenas com pequenas pinceladas brancas as velas dos barcos que se aproximam da praia e rompem a linha do horizonte.

Paisagem - Colares


João José Vaz
Paisagem - Colares
Óleo sobre Madeira
26,5 por 40

Museu Grão Vasco

Paisagem. Num campo, observam-se, em primeiro plano, algumas árvores de troncos esguios e copas largas de verde intenso que contrastam com o céu azul claro. Nos planos sucessivos, outras árvores e arbustos deixam entrever, ao longe, uma pequena povoação que se estende ao longo de um vale. No plano fundeiro, uma serra define a linha do horizonte, encimada por uma casa, do lado esquerdo. Trata-se de uma das obras do pintor setubalense, que sendo célebre pelas suas marinhas deixou, no entanto, algumas paisagens como esta.

Rochedos Peniche


João José Vaz
Rochedos Peniche
Óleo sobre madeira
35 por 57

Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado

Marinha. Figura dois grandes rochedos à esquerda, pontuados por gaivotas e à direita, um penhasco que se ergue no mar, onde batem as ondas de espuma; ao longe, junto ao horizonte e a um céu estival, um navio fumegando.

Torre das cabaças



João José Vaz
Torre das cabaças, 1885
Óleo sobre tela em madeira
30 × 20,5 cm

Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado

Historial
Pertenceu a Columbano Bordalo Pinheiro. Legado de Emília Bordalo Pinheiro, viúva de Columbano, em 1945.

Exposições
Lisboa, 1885, 141; Lisboa 1888; Setúbal, 1949, 7; Lisboa, 1949, 2; Almada, 1961, 7; Caldas da Rainha, 1981; Queluz, 1989, 61; Lisboa, 2005.

Obra invulgar no conjunto das que pintou, revela uma preocupação com valores plásticos relativamente alheios. Os planos que constituem as paredes e telhados do casario em torno do campanário são sintéticos e prescindem de um sentido descritivo em favor de uma construção analítica. O seu desenvolvimento exibe uma ocupação extensiva do espaço, sugerido como somatório de parcialidades. As gradações do branco crescem de intensidade à medida que se aproximam do céu de cor azul-chumbo. No primeiro plano, espaço vazio oferecido à luminosidade, dois elementos vêm enfatizar a ideia de luz: um chapéu de sol e uma sombra sobre o branco de um muro.

Pedro Lapa

No Tejo



João José Vaz
No Tejo, 1897
Óleo sobre tela
94 × 152 cm

Museu NAcional da Arte Compemporânea no Chiado
Historial
Oferta do artista como Académico de Mérito. Integrado no MNAC em 1912.

Exposições
Lisboa, 1913, 59; Lisboa, 1932, 3; Lisboa, 1941, 111; Lisboa 1949, 3; Setúbal 1949, 4; Lisboa, 1955; Almada, 1961, 4; São Paulo, 1996, cor; Lisboa, 2005; Caldas da Rainha, 2005, 276, cor; Istambul, 2009, 5.

É realmente ao pintar a água que João Vaz demonstra todo o seu ofício. Há um prazer em prolongar os reflexos, sugerindo apenas a impressão através de uma pincelada curta que distribui a cor refractada da luminosidade, criando uma atmosfera vibrante e envolvente. A reverberação da água é enfatizada pelo contraste com a grande mancha escura do barco ancorado. A inclinação deste, bem como as amuradas danificadas, indiciam o seu abandono cerceado pelas inúmeras velas verticais que povoam e animam a marinha até à linha do horizonte.
Revela-se deste modo, na melancolia da cena, uma sugestão poética ensimesmada – cuja marca será o prolongamento da reflexão do barco na água –, servida pelos esquemas de composição tradicionais, relegando a dimensão pictórica do quadro para mero efeito de um gosto. Este aspecto fará escola ao longo das diversas gerações tardo-naturalistas do século XX.
João Vaz pintou ainda outro óleo sobre o mesmo motivo, de semelhança extrema, que haveria de expor na 7ª Exposição do Grémio Artístico em 1897.

Pedro Lapa

As piteiras


João José Vaz
As piteiras, 1897 - 1911
Óleo sobre madeira
34 × 57 cm

Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado
Historial
Adquirido pelo Legado Valmor ao artista em 1912.

Exposições
Lisboa, 1911; Lisboa, 1932, 5; Lisboa, 1941, 114; Lisboa, 1949, 2, p.b.; Lisboa, 1949, 4; Lisboa, 1951; Almada, 1961, 2, p.b.; Paris, 1987, 217, cor e p.b.; Lisboa, 1988, 217, cor e p.b.; Lisboa, 2002; Lisboa, 2005; Lisboa, 2007, 8; Lisboa, 2010.
Exemplo de uma pintura despojada de artifícios, estas Piteiras revelam uma extrema simplificação dos pequenos toques de cor, situação que evoca a qualidade da aguarela. O tema do primeiro plano interrompe e ritma a perspectiva – característica comum a muitas das suas pinturas – com os elementos verticais e agressivos que são as folhas. A presença deste tema em primeiro plano repõe com carácter emblemático o espírito meridional do lugar, aspecto a que a pintura de João Vaz foi sensível.

Pedro Lapa

Um trecho do rio Vizela


João Marques de Oliveira
Um trecho do rio Vizela, 1886
Óleo sobre madeira
41,1 por 60

Museu Nacional Soares dos Reis

Praia da Póvoa de Varzim


António Carvalho da Silva Porto
Praia da Póvoa de Varzim, 1884
Óleo sobre madeira
20 por 30,5

Museu Nacional Soares dos Reis

Paisagem representando um trecho de praia composta por duas faixas cromáticas principais correspondentes ao areal e ao céu. Sobressaem, por contraste, as estruturas de madeira e as redes estendidas, as figuras, as sombras e as paredes iluminadas das construções. Os elementos descritos concentram-se na faixa central da composição que atravessam em toda a largura. Toda a pintura é trabalhada em pinceladas largas de tinta espessa, com aparência de execução rápida onde as formas e a luz são sumariamente sugeridas. As figuras femininas, uma sentada e outra de pé, são apontadas em breves pinceladas. O céu é trabalhado em pinceladas movimentadas em tons de azul e violeta. O mar, que se adivinha mas não se distingue, está parcialmente encoberto pelas casas e estendais de madeira e liga-se ao céu que preenche a grande faixa da parte superior da composição.

A tigela partida



António Carvalho da Silva Porto
A tigela partida (un petit malheur), 1878
Óleo sobre tela
altura: 85,3; largura: 50,4;

Museu Nacional Soares dos Reis

Representação de figura feminina, infantil, de corpo inteiro e em posição frontal, tendo por fundo um trecho de parede. O braço direito da menina estende-se ao longo do corpo e a respectiva mão segura um trapo vermelho; o braço esquerdo está erguido e parte da mão esconde-se por trás da cabeça. Enverga traje típico italiano, constituído por blusa branca, corpete negro, lenço colorido sobre os ombros, avental negro com faixas largas bordadas junto à cintura e junto à baínha. Completa ainda este traje típico, o colar de contas em torno do pescoço. Junto aos pés da menina, à esquerda e em primeiro plano, vários cacos de uma peça em barro avermelhado que se partiu. Este modelo de criança é o mesmo que o pintor representou no "Costume de Campanha Romana" existente neste Museu

sábado, 10 de dezembro de 2016

Cena rústica


Artur José de Sousa Loureiro
Cena Rústica ( Brolles), 1882´
Óleo sobre tela
105 × 151 cm

Museu Nacional da Arte Contemporânea no Chiado
Historial
Prova de pensionista no estrangeiro (1876 – 79). Integrado no MNAC em 1911.

Exposições
Lisboa, 1888; Lisboa, 1979, 33, cor.

Como outros dos seus conterrâneos naturalistas e tardo-naturalistas, Artur Loureiro estanciou na Bretanha, cujo pitoresco selvagem lhe inspirou paisagens e cenas de costumes rurais. Nesta obra, o registo costumista alia-se ao registo detalhado da indumentária e do adereço do carro de mão sobre o qual se apoia o rapazinho, envolto por uma ampla paisagem verdejante e detalhadamente florida, que denuncia os avatares da pintura ruralista sallonarde.

Raquel Henriques da Silva

Convalescente


Artur José de Sousa Loureiro
Convalescente, 1902
Óleo sobre tela
63 por 73

Museu Nacional Soares dos Reis

Num interior doméstico está representado um homem de corpo inteiro, sentado num cadeirão de braços posicionado do lado esquerdo da composição e voltado para o lado direito. Por trás do cadeirão é visível a parcela lateral de uma cama com ampla ilharga e cabeceira de madeira onde ressalta o tecido branco e luminoso de um lençol ou cobertura. Ao lado da figura está representada uma mesa coberta com tecido verde: sobre ela, um copo com água e um cinzeiro. Todos estes elementos se concentram na metade esquerda da composição deixando a oposta praticamente reduzida a um fundo neutro de parede e chão vazios. O retratado veste casaco preto e camisa branca e tem, sobre as pernas, uma manta igualmente negra. Ainda um aspecto particular de pormenor é o facto de segurar na mão esquerda uma boquilha com cigarro aceso. A cabeça recostada em almofada branca tem uma expressão de desfalecimento que o rosto magro com barbas brancas reforça.